O
ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) foi preso nesta quarta-feira (19) em
Brasília. A prisão é preventiva, segundo informou a Polícia Federal. O
ex-deputado foi detido próximo ao local onde mora na capital federal.
Cunha é réu em processos da Operação Lava Jato que
estão sob a responsabilidade do juiz Sergio Moro, da 13ª Vara Federal de
Curitiba. A ordem de prisão foi expedida por Moro na última terça-feira. Também
foi decretado o bloqueio de bens de Cunha no valor de R$ 220.677.515,24.
No
pedido de prisão, os procuradores da força-tarefa da Lava Jato sustentaram que
a liberdade do ex-parlamentar representava risco à instrução do processo, à
ordem pública, como também a possibilidade concreta de fuga em virtude da
disponibilidade de recursos ocultos no exterior, além da dupla nacionalidade
(Cunha é italiano e brasileiro).
A
denúncia da PGR (Procuradoria-Geral da República) sustenta que o ex-deputado
recebeu mais de R$ 5 milhões em propina por viabilizar a aquisição de um campo
de petróleo em Benin, na África, pela Petrobras.
O
Ministério Público Federal cita dez motivos para a prisão de Cunha.
1)
requerimentos no Tribunal de Contas da União (TCU) e Câmara dos Deputados sobre
a empresa Mitsui para forçar o lobista Julio Camargo a pagar propina a Eduardo
Cunha;
2)
requerimentos contra o grupo Schahin, cujos acionistas eram inimigos pessoais
do ex-deputado e do seu operador, Lucio Bolonha Funaro;
3)
convocação pela CPI da Petrobras da advogada Beatriz Catta Preta, que atuou
como defensora do lobista Julio Camargo, responsável pelo depoimento que acusou
Cunha de ter recebido propina da Petrobras;
4)
contratação da Kroll pela CPI da Petrobras para tentar tirar a credibilidade de
colaboradores da Operação Lava Jato;
5)
pedido de quebra de sigilo de parentes de Alberto Youssef, o primeiro
colaborador a delatar Eduardo Cunha;
6)
apresentação de projeto de lei que prevê que colaboradores não podem corrigir
seus depoimentos;
7)
demissão do servidor de informática da Câmara que forneceu provas evidenciando
que os requerimentos para pressionar a empresa Mitsui foram elaborados por
Cunha, e não pela então deputada “laranja” Solange Almeida;
8)
manobras junto a aliados no Conselho de Ética para enterrar o processo que
pedia a cassação do deputado;
9)
ameaças relatadas pelo ex-relator do Conselho de Ética, Fausto Pinato (PRB-SP);
e
10)
relato de oferta de propina a Pinatto, ex-relator do processo de Cunha no
Conselho de Ética.