Os alunos do 5º semestre de Relações
Públicas da Faculdade de Americana (FAM) iniciaram neste mês uma série de ações
sociais que vão até setembro, cujo objetivo é conscientizar a sociedade sobre a
doação de órgãos e a necessidade de discutir sobre o assunto em família.
Como parte da iniciativa, na próxima
quarta-feira (28), às 19h30, a FAM através do curso de Relações Públicas recebe
uma palestra com o escritor José Wilson Munari, um dos autores do livro “Mare
decide Viver”, no auditório Jamil Salomão. O livro aborda a busca por um doador
para sua esposa, que precisou de um transplante duplo de pulmões. A
palestra é direcionada apenas aos alunos da Instituição.
O livro, tema da palestra, é a
biografia motivacional de Mare, esposa de Wilson, que descobre que morreria se
não passasse pelo transplante. É a história de uma esposa e mãe que decide
lutar pela vida e por sua família, que se une em torno do objetivo de salvar
sua vida.
Maria Helena Munari, a Mare, ficou
doente em 2007, e em 2009 foi indicada a fazer transplante duplo de pulmões.
“Na época, nem sabíamos que isto existia. O médico disse que se ficássemos no
Brasil, ela morreria esperando o transplante, devido ao pequeno número de
cirurgias feitas no país e ao grande número de pessoas necessitadas”, conta
Wilson Munari. A saída para a família foi procurar auxílio fora do país,
levando-os a mudar para os Estados Unidos. A razão foi que se trata de um país
com muitos doadores, pois a lei diz que todos doam e poucas pessoas se
manifestam para não serem doadores. Já aqui, a lei é omissa e poucas pessoas se
manifestam para serem doadores”,salienta Munari.
#FaçoParte
A primeira ação social do grupo foi
apresentada nas dependências da faculdade, na última quarta-feira (15), que foi
decorada com bexigas em forma de coração e contou com a distribuição de
panfletos com informações sobre a atual situação da doação de órgãos no Brasil.
Usando a hashtag #FaçoParte,
os alunos convocaram através das redes sociais estudantes de outros cursos da
faculdade para divulgarem a ação.
Doação de Órgãos no Brasil
No Brasil, a maior quantidade de
transplantes realizados é de rins, seguido por fígado e coração. De forma
geral, nos últimos 10 anos, o Brasil realizou cerca de 742 transplantes de
pulmões e 61.897 transplantes de rins.
Segundo a Associação Brasileira de
Transplante de Órgãos (ABTO), no 1º trimestre deste ano, das 1.347 famílias
abordadas, 638 delas não autorizaram a doação dos órgãos de seus parentes que
tiveram morte cerebral, o que significa 47% do total.
No Brasil, um dos maiores desafios tem
sido convencer as famílias a concordarem com as doações no momento em que seus
familiares têm a morte cerebral detectada. Segundo a ABTO, a falta de
conhecimento sobre irreversibilidade da morte encefálica é principal causa de recusa
de doação de órgãos.
De acordo com o nefrologista José
Medina Pestana, integrante da ABTO, a principal justificativa das famílias para
não doarem órgãos é o fato de nunca terem conversado antes da fatalidade sobre
o desejo da doação. “Por isso, insistimos que isso tem que ser assunto de
família”, ressalta o médico.
Segundo dados da ABTO, o Brasil
atualmente conta com 13,3 doadores por milhão de população (pmp), número baixo
se comparado a países como a Espanha, onde há 25 doadores pmp. Se a taxa de
doadores do Brasil se mantiver em crescimento, a ABTO estima que em quatro anos
o número chegue a 20 doadores pmp.
Serviço:
Livro: Mare Decide Viver
AUTORES: José Wilson Munari e Simone
Pedersen.
Onde encontrar o livro: e-book na
Amazon, Cultura, Saraiva ,iBookstore (para ipad e iphone) e Kobo.
Mais informações:
José Wilson Murani: [email protected]