Os sertanejos Rionegro e Solimões dizem ser “os caipiras mais antenados de todos”. Com 25 anos de carreira, eles começaram a investir nas redes sociais para conquistar um público jovem e diferente de seus fãs das décadas de 80 e 90. Com humor e ironia, Solimões se destacou em seu perfil no Instagram, que hoje tem mais de 30 mil seguidores. E a aposta na tecnologia trouxe outro benefício: o aumento de shows para a dupla.
Denominado pelo parceiro Rionegro como “máquina de fazer sexo”, Solimões levou o apelido a sério e o disseminou nas redes sociais. Foi há um ano que o sertanejo de 1,5 metro de altura e olhar de galã publicou a primeira foto no Instagram. A imagem engraçada foi o estopim para uma sequência de irreverência a cada flash: pode ser sem camisa, ou dentro de um carrinho de criança.
“A internet me chamou e eu gostei. O povo gosta de coisa engraçada e a nossa dupla é assim, espontânea. Não consigo manipular nada. Se eu fizer algo premeditado e eu não me encontrar dentro da história, não fica legal. Aí não ganho muitas curtidas no Instagram”, contou ao UOL, aos risos. Solimões não leva as honras sozinho e diz que o tom de brincadeira se completo com as legendas feitas por Rionegro. “São todas palavras dele”.
“Isso tudo está sendo ótimo para a nossa carreira. Está ajudando a ter mais público em nosso show e tem um aspecto muito positivo. Estamos conseguindo sobreviver no meio disso tudo que está acontecendo [no cenário da música sertaneja] como se fôssemos uma dupla nova”, contou Rionegro, que conheceu Solimões no interior de São Paulo, no início da década de 80.
Empurrãozinha da internet
Com o hit “O Cowboy Vai te Pegar” bombando no YouTube –são mais de cinco milhões de visualizações–, Rionegro e Solimões classificam que a época atual está mais fácil para a disseminação da música. “Antigamente era muito mais difícil. Na web é muito mais fácil para mostrar o trabalho e isso é muito importante”, disse Rionegro. Ele relembra que um dos perrengues no início da carreira foi só conseguir gravar discos em São Paulo.
O sucesso chegou para a dupla em 1998, quando lançaram o sexto disco (“O Amor Supera Tudo”), e venderam cerca de 500 mil cópias. Entre as composições estão: “Falta você”, “A Gente se Entrega”, “Tô Doidão”, “Saudade Pulou no Peito” e “De São Paulo a Belém”.
Solimões contou que a “falta de beleza” foi outra dificuldade que eles enfrentaram nessa época. “Beleza física é o que a pessoa nota. Depois, dependendo do diálogo, a pessoa vai achando o outro mais bonito. No começo, os formadores de opinião não chamavam a gente para ir à televisão. Quando víamos a câmera a gente fugia porque para a TV tinha que ser bonito”.
Hoje isso não é mais um problema. Ambos aprenderam a brincar com o tamanho de Solimões e as diferenças físicas entre eles. A prova disso são as fotos nas redes sociais. Para a dupla, os perrengues do passado os fizeram mais fortes e trouxeram benefícios. “A gente conseguiu mostrar o outro lado nosso e levar alegria brincando e zuando nós mesmos”, disse Solimões, que está guardando uma série de fotos divertidas para publicar no Instagram em breve.